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Mais de duas mil pessoas no desemprego e receitas no turismo em baixa acentuada em Vilankulo

O distrito turístico de Vilankulo registou desde o início de pandemia da COVID-19, em Março de 2020, uma redução drástica de visitas turísticas e consequentemente baixa de  receitas vindas deste sector como resultado, em grande parte, dos vários decretos anunciados pelo Governo Central para o encerramento das praias e outros lugares de lazer enquanto vigorar a situação pandémica.  Paralelamente, a situação produziu efeitos bastante negativos, como por exemplo, o despedimento massivo da força laboral, que se viu obrigada a ficar sem emprego devido ao encerramento de hotéis e várias estâncias turísticas.

A situação é descrita como um atentado pelo presidente da Associação de Turismo em Vilankulo, Yassin Amuji. O empresário observa ainda que este destino turístico apontou que dos mais de 109 milhões de meticais arrecadados em 2019, em 2020 os valores desceram para apenas para 12 milhões e teme-se que em 2021 as receitas reduzam à metade.

– Está claro que a COVID-19 é uma doença que veio para ficar. Vamos ter que nos habituar a ela por longos anos. É muito difícil fazer uma previsão de como é que a indústria turística pode se adaptar para os próximos tempos, porque a cada momento há mudança de decretos que regulam a situação da pandemia no país. O turismo é uma indústria que não pode viver dentro desta incerteza e as decisões, de certa forma, têm sempre impactado o sector. Só para que se tenha uma ideia, é normal um operador turístico estar com 40 a 50 por cento de ocupação no seu empreendimento, o que é muito difícil nesta altura da pandemia, mas logo que vem um decreto que ordena o encerramento das praias, este operador volta a ter 100 por cento de cancelamentos, porque só a mensagem de proibição do acesso às praias é sinónimo de que não há turismo. Acabamos por registar cancelamentos em massa. Isto aconteceu várias vezes e volto a observar que descentralizar a gestão e adopção das medidas sobre a estirpe, pode ser um caminho viável para reanimar a economia e permitir que o país avance com efeitos mínimos da pandemia expressou o interlocutor que, no quadro da sua visão, sobre as restrições impostas ao turismo, sugere algumas medidas atenuantes.

– Com a descentralização em vigor no país – já estamos a eleger os governadores provinciais, assembleias provinciais e nos próximos anos os administradores distritais – que se permita que estas entidades façam a gestão de algumas medidas restritivas do novo coronavírus de acordo com a realidade dos seus territórios de jurisdição. Temos o “Selo Limpo e Seguro”, do Ministério de Cultura e Turismo, que se atribui aos empreendimentos turísticos que observam e cumprem com rigor o protocolo sanitário sobre a COVID-19, eu penso que esta iniciativa deve ser continuada e atribuir-se a mais hotéis encostados às praias que nesta altura da pandemia nunca têm mais do que 20 ocupantes. Não há mal nenhum que este número limitado de turistas se deliciem das nossas praias, onde há condições para distanciamento. O aglomerado das praias é muito inferior ao que ocorre por exemplo nos mercados e transportes de passageiros.

Com o surto de nova estirpe da COVID-19 no país, em particular na província de Inhambane, e a meio a incertezas sobre a retoma normal da actividade turística, Yassin Amuji apresenta os prejuízos decorrentes desta pandemia.

– Assistimos, em consequência desta situação, despedimentos massivos da força laboral. Aqui em Vilankulo, estamos a estimar em dois mil trabalhadores e encerramento de diversos empreendimentos turísticos. Alguns hotéis reabriram com um número muito inferior do pessoal e vão tentando fazer o esforço de readmiti-los. Em termos financeiros, temos dados que apurámos em coordenação com o governo distrital. Por exemplo, em 2015, o turismo em Vilankulo rendeu aos cofres do Estado cerca de 18 milhões e quinhentos mil meticais, em 2016, subiu para 25 milhões de meticais, em 2017, contribuiu com 33 milhões de meticais e em 2018, ano do início de funções da Associação do Turismo, o incremento foi de 94 milhões de meticais. Em 2019 chegámos a 104 milhões de meticais. Tínhamos enormes expectativas para 2020, mas infelizmente por causa da pandemia, houve uma descida acentuada para 12 milhões de meticais. Acreditamos que a este ritmo, neste ano, podemos estar muito abaixo disso, provavelmente estaremos na metade. Nisto tudo é ainda complicado calcular aquilo que cada um que integra a cadeia de valor de turismo perdeu. Estamos a tentar remar contra a maré, mas as circunstâncias em que são tomadas as medidas de prevenção da COVID-19, nos desanima, achamos que não se está a proteger esta indústria. Precisamos,  com as políticas do governo,  de transmitir ao mundo que mesmo perante a COVID-19, o turismo por aqui está aberto.

Yassin Amuji transmite a opinião da maioria dos operadores turísticos que defendem que o turismo de massas pode manter-se fechado em detrimento do de lazer, que pelas suas características não permite aglomerados. Ademais, alerta ao cumprimento do plasmado sobre o Selo Limpo e Seguro.

– No nosso ponto de vista, seria fechar o turismo de massas e manter aberto o de lazer. São duas coisas distintas. O turismo de massas provoca aglomerados nas praias e empreendimentos turísticos, aquilo que assistimos, por exemplo, em praias como Tofo, Ponta do Ouro, Bilene, Costa do Sol.  Neste tipo de turismo sim, a possibilidade de contágio é maior. Juntam-se aqui mais de mil pessoas, pode se fechar. No turismo de lazer, onde os hotéis só têm 10, 15 a 20 quartos, por si só, já não há aglomerados. Portanto, não faz sentido que mantenham as praias e piscina encerradas e criar muita restrição, onde através da atribuição do Selo Limpo e Seguro, está certificado o cumprimento das medidas de prevenção da pandemia. Nós defendemos que se use a iniciativa Selo Limpo e Seguro para transmitir ao mundo que Moçambique está aberto para o turismo dentro dos padrões de segurança da Covid-19, argumenta a fonte que pede às autoridades a extinção do teste à entrada do país de turistas que tenham o cartão que confirma ter administrado a vacina contra a COVID-19. Yassin insiste, através de exemplos, que o turismo de lazer deve ser a direcção do país, sobretudo neste período pandémico.

– Vários países no mundo já têm quase metade da sua população vacinada contra a Covid-19 e precisam de viajar e descobrir outros lugares. Mas por cá encontram dificuldades porque exige-se que se apresente teste negativo desta estirpe. Nós pensamos que isto é desnecessário, uma vez as pessoas vacinadas, está claro que elas não estão sujeitas a contaminação, não terão situações graves da doença. Então, um turista vacinado pode entrar no nosso país sem complicação. Extingue-se o teste para quem tenha o cartão que certifica que já tem administrado a vacina anti-COVID-19. Eu sempre defendi desde a eclosão da pandemia no nosso país que esta era uma oportunidade de partirmos em pé de igualdade com todos os outros destinos turísticos do mundo. Antigamente estes destinos turísticos estavam quase 50 anos à nossa frente e nós só perseguíamos a eles ao nível de comunicação, transporte, marketing, entre tantos outros aspectos. Estou a falar dos destinos como Tailândia, Maldivas, México, são destinos de turismo de massas. E hoje os turistas já não precisam destes locais devido ao elevado risco de contágio pelo novo coronavírus que eles representam. Eles querem destinos de turismo de lazer. E é aqui onde nós devemos nos afirmar. E se partirmos para esta direcção a nossa economia ficará estável, porque o turismo estará a funcionar razoavelmente.

Efraime Macitela e Gilberto Guibunda

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