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Resultados da conferência internacional de investimentos já se fazem sentir em Inhambane

A Conferência Internacional de Investimentos realizada em Junho de 2017, a qual contribuiu para o arrecadamento de mais de 1.5 mil milhão de dólares norte-americanos,  dá sinais claros de desenvolvimento da província de Inhambane, através de projectos de desenvolvimento em execução nos distritos da província. São projectos que deixam alento ao Governador da Província, Daniel Chapo,  que na primeira grande entrevista ao INHAMBANENSE, garante que há cinco anos que não se fala de fome na província de Inhambane. Chapo, que traçou a radiografia da província desde o seu primeiro mandato a este segundo em curso, considera a província um destino apetecível para o investimento. A Covid-19 e os seus efeitos mereceu especial atenção do governante que garante que a província tem feito os esforços possíveis para controlar a propagação pandémica ao mesmo tempo que reforça os apelos à prevenção.

– Senhor Governador, Daniel Chapo, em Março de 2016 foi nomeado para dirigir a província de Inhambane pelo que cumpre o segundo mandato neste cargo. Que radiografia é que faz nos primeiros cinco anos da sua governação?

– Primeiro, dizer que confirmámos aquilo que Vasco da Gama disse há mais de cinco séculos a respeito desta província. Pela maneira como fomos recebidos aquando da nossa chegada em 2016, no meu primeiro dia, e a recepção que encontrámos nos distritos, de facto, Inhambane continua “Terra da Boa Gente”. Boa gente para confiar; boa terra para investir e terra de gente trabalhadora.

Em relação à radiografia que fazemos dos últimos cinco anos, concluímos que Inhambane é uma província muito extensa e rica em recursos e potencialidades. Também é versátil porque tem diversos tipos de climas, designadamente,  áridos e semiáridos, no interior dos distritos do norte. No litoral, o clima é outro, daí que para a prática da agricultura é necessário ter em conta estas adversidades. Com isso, foi necessário que tudo fosse orientado para adaptar a produção agrícola com a prática de culturas que se adaptem ao tipo de clima. Este foi o nosso grande desafio.

– O que  espelho nos pode hoje  apresentar a província comparativamente àquela que herdou, ou seja, qual é o plano estratégico até o fim deste segundo mandato?

– Temos hoje em dia Inhambane apetecível para investir, fruto da realização da Conferência Internacional de Investimento em Junho de 2017. A conferência permitiu-nos arrecadar mais de 1,5 mil milhão de dólares americanos de investimentos. De referir que os frutos desta conferência de investimentos são notórios na execução de vários projectos de desenvolvimento a nível da província nos distritos de Govuro, Vilankulo, Inharrime, Jangamo entre vários com investimentos de capitais sul-africanos na sua maioria. Isso nos deixa satisfeitos e afirmamos que em Inhambane não se fala mais de fome há mais de cinco anos.

– Por meio da jornada o Ciclone Idai agravou  alguns dos grandes problemas que a província enfrenta como sejam a erosão, vias de acesso, saneamento ou mesmo de infra-estruturas básicas. Qual é a resposta dada pelo governo provincial para responder a estes danos?

– Para além do Ciclone Idai que afectou os distritos da Zona Norte da província, fomos fustigados pelo Ciclone Dineo em 2017 que devastou quase tudo, entre infra-estruturas

sociais à agricultura e mais. Trabalhámos como Governo Provincial, orientando o INGC (Instituto Nacional de Gestão de Calamidades) na altura, agora INGD (Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres), com os nossos parceiros de cooperação e reconstruímos a província, embora ainda tenhamos algumas marcas do Dineo, mas conseguimos superar.

– Em que percentagem foi cumprido o reassentamento da população deslocada?

– Falando do reassentamento das famílias deslocadas no âmbito do ciclone Dineo, já foi cumprido em 100 por cento. Foram parcelados os talhões e construídas casas para as famílias nos bairros de Marrambone, Muelé 3, Guitambatuno, Morrumbene Sede, Massinga e Maxixe.

De referir que esta actividade decorreu em parcerias com a Organização Internacional das Migrações (OIM), da Embaixada da Turquia e em alguns casos com o apoio da Igreja Metodista,  no caso de Funhalouro.

– Sendo uma província ciclicamente afectada, que medidas de resiliência às mudanças climatéricas a província adoptou?

Mal “recebemos” na altura a província, não parámos no gabinete. Palmilhámos os distritos para aferirmos o nível das acções de mitigação em curso. No final, concluímos que afinal a situação não era assim tão grave. Efectivamente, existiam algumas bolsas de fome em consequência da fraca produção em algumas regiões. Por causa disso, as reservas alimentares iam-se esgotando, remetendo algumas pessoas a procurar alternativas de sobrevivência. Mas é preciso vincar que a situação agora está controlada, mercê de um esforço abnegado do Governo e seus parceiros na assistência aos afectados e do desenvolvimento das folhas de feijoeiro e outras culturas depois da queda da pouca chuva, ainda que mal distribuída. Mas nós temos um conceito sobre a insegurança alimentar. Para a maioria das pessoas, em Inhambane, quando falha a cultura de milho, já se desenha um cenário de fome. É necessário desmistificar esta ideia, sensibilizando os camponeses para o facto de a produção agrícola não se resumir apenas à cultura de milho, mas abranger castanha de caju, criação de animais, entre outras variedades culturais. O milho é o alimento básico, sem dúvida, mas é preciso, paulatinamente, inculcar na nossa sociedade que existem outras culturas que devem merecer prioridade na produção agrícola. É o que está a acontecer agora e está a dar bons resultados, há muita castanha e muito gado bovino nas comunidades, tanto que estamos na segunda posição como a província maior criadora de gado bovino e a terceira produtora da castanha de caju a nível do país.

– Alguns distritos, a exemplo de Funhalouro e Mabote continuam com um registo de desenvolvimento baixo, embora apresentem alguns sinais de melhoria. São distritos que merecem um outro tipo de abordagem dada a sua localização no interior da província? 

– Nos distritos de Mabote, Funhalouro e Panda tivemos que potenciar a produção da castanha de caju, criação de animais, sobretudo o gado bovino. Vimos que não valia a pena insistir nos cereais, principalmente o milho, porque definitivamente não é possível produzi-los naquelas condições. Fazendo um cruzamento entre os recursos e a actual dinâmica, foi preciso trabalhar muito para baixar os indicadores de pobreza porque ainda eram muito altos.

E agora damos por satisfeito porque estamos a nos firmar na produção da castanha de caju ao que passamos a ocupar a terceira posição e a segunda posição na criação de gado bovino a nível do país.

– A população destes distritos queixa-se pelas vias de acesso adequadas. Há projectos concretos para resolver esta inquietação, por exemplo, Funhalouro a Massinga ou Mabote à Mapinhane?

– Neste preciso momento existem projectos, mas nós como Governo estamos a levar a cabo trabalhos de manutenção de rotina destas estradas a que se refere com vista a escoamento de produtos agrícolas dos distritos para os principais interpostos comerciais de Inhambane e de outras provinciais.

Por: Gilberto Guibunda & Adilson Virgílio

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