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Mais de mil pacientes com cataratas poderão operar no presente ano

Nuno Águas

Os defeitos visuais não corrigidos são apontados como sendo a principal causa de deficiência visual em Moçambique, com uma prevalência de cerca de quatro por cento, estando a província de Inhambane como uma das que contribui para esta cifra. Uma avaliação rápida, recentemente realizada pela Olhos de Moçambique, uma organização não-governamental (ONG) de cooperação internacional, com base em dados colhidos a 30 mil pessoas a partir dos 50 anos, revela que aproximadamente um por cento da população de Inhambane padece de cegueira evitável.

A situação tem estado a preocupar as autoridades da saúde de Inhambane, que desencadeiam acções com vista a reverter o panorama e restaurar a visão à população.

É nesse contexto que se enquadram as campanhas realizadas gratuitamente para cirurgias de catarata ao nível a província, de forma rotativa em unidades sanitárias ao longo da região. Decorre, neste momento, uma campanha para o efeito, conforme garantiu ao INHAMBANENSE o médico-Chefe Provincial, João Muchanga.

– Iniciou a 13 de Setembro, com duração de cinco dias, no Hospital Provincial de Inhambane, semana intensiva de cirurgias de catarata, com uma média diária de 15 intervenções. É importante referir que estas intervenções são realizadas por técnicos moçambicanos e esta é a quinta semana intensiva de cirurgias que se realiza de forma rotatória nos diversos hospitais da província, disse.

Quinhentas pessoas recuperadas da cegueira

Na sequência destas iniciativas, muitos pacientes com cataratas estão a ter a sua visão restituída. Só neste ano, em resultado das referidas campanhas intensivas, 500 pessoas recuperaram da cegueira, conforme garantiu ao nosso jornal o médico chefe provincial.

O dirigente garante, ainda, que as campanhas de cirurgias de cataratas não param por aqui.

– Temos pacientes na lista de espera em diversos distritos, daí que estas semanas intensivas irão continuar. Está prevista uma semana intensiva no Hospital Rural de Chicuque, na cidade da Maxixe, em Outubro próximo. A meta global da província é restituir a visão a mil pacientes por ano, referiu.

A preocupação em restaurar a visão da população de Inhambane ultrapassa o âmbito governamental. É, também, de entidades parceiras, como é o caso da Olhos de Moçambique, uma filial da Fundação Olhos do Mundo, entidade cujas acções incidem nos sistemas de saúde para apoiar e consciencializar as autoridades sanitárias dos países para a importância da saúde ocular.

Em Inhambane, a organização está a trabalhar, também, na componente de sensibilização das pessoas que contraíram cegueira por conta das cataratas, informando que é possível devolver a sua visão com o recurso à cirurgia, ainda que depois de passados muitos anos.

A Olhos de Moçambique tem estado a trabalhar junto da Direcção Provincial da Saúde, com linhas de actuação que concorrem para o melhoramento do atendimento ocular da população de Inhambane.

Em 2017, por exemplo, a organização atendeu 17.394 pessoas, das quais 3.453 são crianças. Do universo de atendidos, 55 por cento são mulheres e raparigas. Foram realizadas 532 intervenções cirúrgicas.

Além disso, a Olhos de Moçambique formou 155 profissionais de saúde e sensibilizou a pelo menos 9.200 pessoas em visitas prévias às campanhas de cirurgia nas escolas, feiras, entre outros pontos.

Nas suas intervenções, a entidade tem levado em consideração a questão do género, tal como refere a própria organização, “não somente em conseguir fazer com que as mulheres e meninas não percam a visão, mas também em formar as integrantes femininas de associações locais, para que se possam envolver directamente no melhoramento da saúde ocular da população e, também, consciencializar para a importância da saúde ocular nas suas comunidades”.

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