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JOGABET

Há 27 anos na casa do povo e os desafios Inhambane

—Sabe do significado do seu papel para a província de Inhambane? 

Sei. Sei porque eu tive a honra de ser escolhida, de entre vários, para ser eleita deputada por Inhambane em 1994. Não se pedia. Essas coisas não se pediam e nem se requerem. Eu até estava a voltar de Londres em Agosto, onde estivera a fazer o meu Mestrado, juntamente com outros filhos de Inhambane, nomeadamente, Virgílio Juvane e Telmina Pereira, recebo esta informação de que eu estava a ser colocada na lista para ser deputada. Mas como vê, desde que me casei em 1977 fixei residência em Maputo e lá só ia para visitar a minha mãe, resisti um pouco e tinha a preferência a cidade de Maputo, até mesmo porque fazia parte do Comité da Cidade. Mas as decisões são tomadas de forma colectiva e eles lá sabiam jogar os interesses. Devem ter jogado que para cada província devia-se enviar pessoas que se sentissem realizadas e os leitores se sentissem identificadas com os propósitos da FRELIMO. Voltei praticamente para a província de Inhambane já como deputada e cabeça-de-lista porque na minha lista quem encabeçava era o Pascoal Mucumbi, seguido por Tomás Salomão, que depois da eleições foram para o governo. Foi então que fui ao Parlamento, na primeira legislatura multipartidária. Portanto, desde 1994 nunca deixei de servir Inhambane e sinto mais responsabilidades do que antes, porque sou filha da terra e tenho a honra de ser eleita para representá-los na Assembleia da República. Este é o meu sexto mandato.  Mais de setenta e cinco do meu saber é dedicado à nossa província.

— Quais é que acha que são os crónicos  desafios que  Inhambane tem e que deve suprir?

São desafios de desenvolvimento. Apesar de estar lá a Sasol, entendo que ainda não alcançamos ainda o desejável. Em termos económicos só temos a Estrada Nacional número 1 (N1), que é um corredor. Saindo da EN1 para o interior as vias de acesso são precárias. O mesmo para as outras  infra-estruturas. Devo realçar  que de mandato a mandato o programa quinquenal do governo traz alguns aspectos de desenvolvimento visíveis porque hoje tens as cidades, as sedes dos distritos e vilas, sinais que indicam mudanças. Temos o mínimo de infra-estruturas exigidas para a administração pública. Mas há muito mais que pode ser feito. O povo de Inhambane é trabalhador, é rural e para que haja uma troca de excedentes é preciso que as vias de comunicação estejam disponíveis porque da actual maneira é difícil. É difícil ainda escoar produtos de Funhalouro ou Mabote. As comunicações intradistritais e interdistritais não são até hoje das melhores. A pesca podia desenvolver-se um pouco mais, envolvendo as comunidades da costa  de Zandamela  até Inhassoro. No interior da província temos muita madeira de várias espécies que deve ser utilizada de forma racional e reaproveitar mais  para melhorar a renda das populações. Nós somos um povo agricultor e os projectos de agricultura melhor orientados, também vamos capacitar melhor. Acho que temos muito a melhorar e não podemos dizer que tudo está mal. Temos hoje grandes farmas que exportam, são propriedades privadas, mas que têm lá muita mão-de-obra que é nossa. No geral, temos a juventude que é muito activa e temos também a nossa cultura.

—Sim…  

O Governo, felizmente, está a reajustar o contrato com a Sasol para que haja uma maior mobilidade social. Tem a lei do conteúdo local que está sendo agora reajustada para permitir que este projecto de Gás Natural de Pande seja propriedade de toda a província de Inhambane, desde Zandamela a Save. Passará a não ser apenas assunto de Inhassoro como erradamente se pensa. Então, quero crer que estamos numa fase que se está a trabalhar para a Sasol sentir que a responsabilidade social deve ser providenciada para toda a província. E aí, quando eu ando em Quissico ou Inharrime,  por exemplo,  no âmbito da fiscalização do meu trabalho como deputada, falar da Sasol vão sentir essa apropriação porque na verdade nós queremos aqui um gás que é explorado na nossa província e a alimentar o país, particularmente a zona Sul. Com este grande projecto agora assinado vai ser uma fonte de energia renovável.

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