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Cidade de Vilankulo em ascensão vertiginosa no ano do “africano de praia”

Edson Pires & Gilberto Guibunda

Fotos: José Zangado

O Município de Vilankulo celebra, no próximo dia 26 de Fevereiro, a passagem do seu segundo aniversário após a sua elevação à categoria de cidade; uma janela que se abriu para uma entrevista com o edil local, William Tunzine, dirigente do ano 2021, cujo foco foi o balanço do ano passado e as perspectivas para o presente ano, que terá como pico a realização do Campeonato Africano de Futebol de Praia em Vilankulo. Apesar de considerar o ano de 2021 de positivo, com receitas próprias de cerca  de 18 milhões de meticais dos 20 milhões inicialmente projectados, a urbanização, o melhoramento do sistema de abastecimento de água, a distribuição da rede eléctrica e construção de estradas continuam no centro das atenções, numa altura em que a marginal, um dos principais polos de atracção do município, continua a ceder à erosão. Vinte milhões de dólares é quanto o município precisa para resolver este dilema e há esperança de que ainda este ano parceiros abram mão à bolsa.

– Começa o ano com o galardão do INHAMBANENSE que o elegeu como dirigente do ano passado. Entende que este é um desafio para o que será o seu trabalho no presente ano?

Em primeiro lugar quero agradecer pela votação e distinção. É desafiante. Quando as pessoas são indicadas para estas categorias é desafiante porque as pessoas começam a olhar numa perspectiva de mais exigência. Portanto, querem mais da pessoa. Nós vamos continuar a servir aos nossos munícipes, o importante é isto: saber servir e servir bem. Isso eu vou continuar a fazer para o bem da nossa cidade.

– Como é que olha para o ano de 2021, numa época em que o abastecimento de água continua sendo um desafio para o município.

– Nós avaliámos positivamente o ano 2021. Sessenta  por cento dos munícipes é alimentado pelo sistema de abastecimento de água que o município tem, os restantes 40 por cento dos munícipes é alimentado pelas redes  privadas, licenciadas pelo próprio Conselho Municipal da Cidade de Vilankulo. A nossa rede aumentou em cerca de 40 por cento com a conclusão da reconstrução da obra de sistema de abastecimento do preciso líquido. Foi um investimento de 1.6 milhão de euros e vamos fazer a inauguração no mês de Fevereiro, antes do dia da cidade. O que nos encoraja é que  conseguimos cobrir 80 por cento da nossa população em termos de abastecimento de água potável e tratada.

– E qual é a previsão para cobrir toda a população?

– É um desafio para nós. Estamos a desenhar com os nossos parceiros, por via da KFW, a fase II que tem a ver com a expansão da rede e também para fazermos mais furos. Temos neste momento seis furos e precisamos ampliar para 10 furos. É um projecto que já está numa fase muito avançada e acredito que até finais do presente ano estaremos na fase de execução ou de procurement. Mas também, através dos nossos parceiros, estamos a desenhar um projecto com a Água Swiss que passará por puxarmos a água a partir do Rio Govuro para alimentar o nosso sistema municipal.

– Este é um processo que já devia estar em pleno funcionamento. Qual é a principal causa de atraso?

 De facto. Nós tivemos um período probatório onde o empreiteiro quis analisar várias componentes de funcionamento, é normal. Neste momento estamos a tentar ensaiar para ver se existem outros trabalhos adicionais para o pleno funcionamento ou se existem mais algumas falhas para também serem corrigidas pelo empreiteiro antes da entrega definitiva da obra.

– Qual é a empresa que passa a gerir o abastecimento de água considerando que já rescindiram contrato com a Empresa Moçambicana de Água (EMA) anterior responsável pelo abastecimento de água?

Queria clarificar que hoje o sistema de água não está  sendo gerido pelo privado. Houve uma rescisão unilateral de contrato entre a Empresa Moçambicana de Água  e o Conselho Municipal de Vilankulo. Está agora a funcionar uma Comissão, que seria  de transição do privado para a outra germinada. Esta comissão funciona há três anos e nós como conselho municipal o que fizemos foi criar uma empresa municipalizada de água. Estamos no processo final e acredito que até final do ano já estará a funcionar. Portanto, vai ser uma empresa do município a gerir o sistema de abastecimento de água. Vai ser rentável para nós.

– Qual é o nível  expansão de energia eléctrica em Vilankulo?

Energia era um ‘cancro’ para a nossa cidade. Queria dar os parabéns à Electricidade De Moçambique (EDM) em Vilankulo  pelo trabalho desencadeado na última  quadra festiva no nosso município. Há cinco ou seis anos nunca tínhamos visto isto. Tivemos umas festas sem corte de energia e era de alta qualidade. Isto demonstra que nos próximos anos seremos ainda melhores. A nossa cidade esteve muito cheia de visitantes e não tivemos problemas de cortes de energia. Tínhamos, até ao ano passado, o plano de cumprir com cinco mil ligações domiciliárias e nesta altura estamos a 90 por cento desse trabalho.  Da mesma forma que queríamos fixar cerca de cinco mil candeeiros de iluminação pública e estamos numa fase adiantada. Também estamos no processo de construção duma substação que vai ser alimentada pela linha que parte de Casa Nova.  Acreditamos que com este empreendimento vamos cumprir com o sonho de “Energia para Todos” na cidade de Vilankulo. Nesta altura o nível de ligações ronda dos  70 a 80 por cento. O que vai faltar será uma parte de Chibuene e contamos que até 2023 esta região já estará iluminada.

 

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