Director: Gilberto Eduardo, Director-adjunto: Naiene Cauchy

JOGABET

Corrupção: afinal onde começa!

Por:Pedro Faela

“Os meus apanhados”

Não importa onde, como e quando começa, mas o importante é a percepção de que a corrupção é um malefício social que degrada economias, riquezas, retarda o desenvolvimento e, por consequência, amputa mentes. Ela representa um encargo para todos, desde o cidadão mais comum até ao mais abastado, pois, todos passam a pagar um preço de nada tem de contraprestação, daí ser importante a união de forças com vista ao seu combate, por ser um mal “desnecessário”.

Não importa as suas posses e/ ou dificuldades, o estatuto social, formação académica, filiação ideológico-política ou outra orientação, o fenómeno corrupção afecta directa ou indirectamente, por isso, uma voz uníssona deve dizer “basta a este mal”.

Porém, para se travar este mal, é importante que se saiba como se manifesta este fenómeno, como se alastra ou propaga, para além das suas consequências em todas as dimensões.

Ora, nos termos da Lei n.º 6/2004, de 17 de Junho, que introduz mecanismos complementares de combate à corrupção, refere-se da existência de corrupção activa e passiva, a que é praticada por quem dá ou por quem recebe (a troca de algo que legalmente não teria outro custo), respectivamente, algo não merecido ou de que não resulta de alguma actividade ou qualquer feito merecedor de qualquer contra-prestação, para além daquela que deve receber em resultado normal da prática dessa actividade, se assim for. Mecanismos complementares, por se assumir que os primários são os éticos, morais, de integridade, e outros que tenham a ver com a natureza humana, tomando em conta que práticas corruptas não são nem deviam ser de uma pessoa normal, embora os tempos actuais nos faça pensar o contrário.

A corrupção entende-se ter várias nuances (caras), quais sejam, os pedidos de favores onde por lei ou convenção é dever da pessoa, em resultado da sua actividade, de praticar incondicionalmente esta actividade, devendo a fazer com todo o profissionalismo, mestreia, eloquência e responsabilidade, com o consumo mínimo de tempo (este factor tem justificado estas práticas).

Esta pode se manifestar de forma natural em resultado da má planificação, programação ou alinhamento de actividades, na medida em quase sempre se chega atrasado a um ou outro ponto, e, porque há procedimentos a seguir, acaba-se usando da influência, persuasão, “assédio” ou outras artimanhas para convencer a outra parte a nos tomar como prioritários, pondo em causa o direito dos já há muito se encontraram no local. Manifesta-se, igualmente, entre outras formas, com os famosos corta-filas (corta-mato), ou seja, se infiltrar no meio de grupos sem a observância de nenhuma sequência lógica, é a promoção da confusão e mais. Aliás, mesmo no trânsito fenómeno semelhante verifica-se com os automobilistas que se acham mais apreçados que os demais.

Os corruptos tradicionalmente se fazem valer pelas suas aparentes posses para contornar tudo e todos e se colocarem numa posição avantajada em relação aos demais, ou seja, saltar etapas em prejuízo dos que as observam, e, aliado ao facto de os que estão com “mão na massa”, digo, os detentores do “poder” se deixar levar por estarem expostos a ganhos imediatos e em razão disso prejudicar uma sociedade inteira.

O corrupto, seja ele passivo ou activo, é um sem vergonha “nacional”, pois é capaz de tudo. Atropela regras, viola etapas, falta respeito a todos e tudo, é um aparente “magnata”, não possui sentido de humanismo, ética, moral, nem pensa e assume as consequências das suas práticas.

Contudo, podem existir várias justificativas que nos remetam à normalidade desta prática, como seja a deturpação de valores sociais e humanas, o egocentrismo, o excesso de burocratismo e formalismo nas instituições públicas e não só, a tendência quase inconfessável de procura de dinheiro e outros ganhos fáceis, que não tenham nada a ver com o suor que se deve despender para qualquer conquista.

O corrupto é um preguiçoso mental, é um lesa-pátria, um mau planificador das suas actividades, um visionário negativista e um inconsequente nas suas atitudes.

As actividades corruptas retardam a economia, o desenvolvimento, põe em causa os procedimentos, atraem a todos, empurrando ao geral de que as coisas andam mal e só assim é que se consegue avançar.

Na verdade, nos dias correntes verifica-se que os que deviam primar pela sua eliminação, são os que mais praticam e a promovem, no autêntico ambiente selvático de “salve-se quem puder”.

Combater a corrupção DEVE ser preocupação de todos, desde o cidadão mais comum até ao mais instruído e posicionado na sociedade, os servidores públicos (os mais apelidados como vectores destas práticas), devendo se primar pelo profissionalismo, altruísmo, humanismo, ética, moral, entre outras formas contrárias às práticas corruptas. Um 2022 livre de práticas corruptas.

 

Comentários