Director: Gilberto Eduardo, Director-adjunto: Naiene Cauchy

JOGABET

“Sou vertical e defensor da justiça social e igualdades”

Gilberto Guibunda e Edson Pires

Fotos de José Zangado 

É um dos jovens influentes na arena empresarial na província de Inhambane (embora os seus interesses não se esgotem nesta província) e um omnipotente activista social que privilegia as redes sociais para lançar as suas ideias e pensamentos sobre vários temas sócio-económicos, políticos, entre outros da actualidade nacional. Filantropo, muitos apontam-no aspirante à lugares na governação, posição, entretanto, peremptoriamente negada por considerar que a sua luta está na defesa da justiça e igualdades sociais.

Referimo-nos a Yassin Amuji, a quem o INHAMBANENSE entrevistou. Tratou-se de um pretexto para, de forma muito clara, percebermos as suas convicções e posicionamentos sobre vários assuntos, entre os quais, o ramo empresarial e de empreendedorismo, do turismo, a retirada no projecto desportivo que em tempos mostrou sinais de vitalidade ou o activismo social que também encerra a sua forma de estar no seu quotidiano.

Sendo a primeira edição do ano não perderíamos a oportunidade de desejar “boas entradas”! Concordaria connosco se disséssemos que há diferença entre ser empreendedor e ser empresário? Se não concorda pode dizer por quê?

– Nem todo o empresário é empreendedor. Um empreendedor é alguém que traz uma visão diferente, inova e traz uma solução diferente. Tu podes ter numa empresa um empresário a trabalhar, mas se ele não for empreendedor, especialmente nesta era digital em que nos encontramos, onde as empresas precisam acompanhar a rapidez com que o mundo se movimenta, a dinâmica – porque se tu estás numa empresa hoje e não mudas a forma de pensar ou a visão da empresa –  em dois anos ficas ultrapassado. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a companhia finlandesa de telemóveis, a Nokia. Eles tinham um líder empresário e não empreendedor. Estava simplesmente a manter a empresa como lucrativa. O empreendedor precisa trazer uma nova dinâmica de pensar e trazer nova solução.

– Há quase duas décadas e meia despontou como um dos jovens que trouxe várias soluções a nível empresarial…digo empresarial porque não sei se naquela altura tinha a visão de empreendedor ou de empresário, mas fez algo que poucas pessoas faziam. O que terá motivado para entrar neste ramo?

– Se eu dissesse que tinha uma visão de empreendedor estaria a mentir. Era conotado como empresário, mas estava a trazer soluções diferentes. Mais tarde fui aprender que quem traz soluções diferentes é empreendedor. Quem vai à busca, quem muda o paradigma é empreendedor. Portanto, fui me apercebendo que não era só um empresário, mas sim alguém que quisesse mudar algumas coisas. Foi assim, por exemplo, que em 2008 trouxemos essa forma de pensar no futebol moçambicano, que de certa forma não fomos acarinhados. Mas, porque não gosto de ficar numa zona de conforto e me apercebi que estava a perder tempo no futebol, decidi abraçar outras áreas, outras causas, onde eu pudesse fazer mais ainda pelas comunidades, para as pessoas, para Vilankulo e para Inhambane, que é o turismo. Apercebi-me do potencial que a nossa província tem. É das províncias que pode ser considerada capital turística do país. É província turística. Temos uma enorme costa, pouco mais de 700quilómetros de praia.

Sim…

– Sessenta por cento do turismo a nível do mundo é motivado pelo turismo de sol  e praia. O resto complementa e nós temos esse resto para complementar, que é a história. Foi a província [Inhambane] em que Vasco da Gama atracou pela primeira vez, é a província onde foi escrita a primeira Constituição da República. Há locais nesta província onde aconteceram as transações comerciais envolvendo os nossos povos com os  árabes e portugueses. Portanto, há aqui muita história que pode ser acoplada ao turismo. É a única província que tem quatro áreas de conservação, nomeadamente, Pomene, Barazuto, Santuário Bravio de Vilankulo e Zinave. Tudo à volta do ponto turístico mais visitado do país, que é Vilankulo.

– Que benefícios esta visão pode trazer para a província?

– Se nós soubermos como fazer uso disso tudo, juntarmos este turismo de sol e praia ao turismo da natureza, ao turismo da conservação, ao turismo científico, ao sócio-cultural e ao turismo de eventos, podemos não só liderar o turismo no país, mas sim liderar na região e no mundo, como província. É preciso perceber como é que nós podemos fazer isso. Há que realçar que iniciámos bem o ano transacto (2021), quando o Governador Daniel Chapo quis fazer o roteiro turístico da província. Visitámos todos os locais históricos e culturais e as áreas de conservação. No final elaborou-se um relatório com o intuito de ser submetido e aprovado pelo Conselho de Ministros, que é para começarmos a trabalhar com base nas suas orientações.

 

Mas, por que o turismo?

– Porque o turismo resolve todos os problemas da comunidade e da economia. Não é possível fazermos o turismo sem o transporte funcionar, sem a agricultura funcionar, sem a pesca, sem a história, tradição e cultura. Isto significa que quanto mais turistas trouxermos à província mais voos teremos, mais transportes públicos vão funcionar, os taxistas e ‘txopelistas’, mais barcos vão funcionar,  mais casas por arrendar e mais hotéis vão abrir. Tudo isso vem acompanhado por empregabilidade.

Portanto, a cadeia de valor do turismo beneficia a toda comunidade. É possível um país inteiro beneficiar-se do turismo. Há exemplos claros de países no mundo inteiro que tinham outras riquezas, mas pegaram nas mais-valias destas riquezas e investiram a sério no turismo. Nós podemos seguir o exemplo, porque o nosso gás e o nosso carvão têm tempo limitado.

Prossiga…

– No dia em que o mundo descobrir que pode fazer energia com água do mar (a Austrália e Inglaterra já estão a usar) o gás e o carvão ficam para a história. É uma questão de tempo. Como é que nós pretendemos estar daqui a 10 anos?

Eu acredito que podemos resolver  o problema da pobreza com o turismo, porque as comunidades locais podem ganhar dinheiro. Nós temos exemplos claros. Os turistas quando vêm, o produto mais procurado é a refeição que passam na residência local. Aquela interacção com a comunidade é o que mais comove, porque praia, sol, instâncias de luxo todo o mundo tem. Encontras isso na Tailândia, México, Maldivas, etc, e se calhar melhores que os nossos. Mas o nosso calor, o nosso carinho, a nossa cultura ou história isso ninguém tem, apenas nós é que temos.

 

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