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Testemunho de quem venceu o cancro da mama

Gilberto Guibunda

Aos 42 anos, Inês Fernando venceu um dos dilemas que as mulheres mais temem: o cancro da mama. A história começou em 2008 e foi protelada para o ano 2012, altura em que finalmente venceu o medo e contar à família o que de facto sentia. Ou seja, o medo que durante par de anos foi seu aliado, seria-lhe ainda mais drástico quando ficou a saber que aquilo que parecia uma simples suspeita ficaria confirmado pelas autoridades de saúde da província de Inhambane. Inês Fernando fora diagnosticada câncer da mama, e ao INHAMBANENSE a agora  activista da “Olá Vida” na cidade de Inhambane, Bairro Chalambe 1, retrata a história vivida que terminou com um final feliz.

– Em 2008 descobri que tinha um caroço na minha mama direita e, para mim, aquilo tornou-se um corpo estranho dentro de mim. Fiquei em pânico que tive até medo de me aproximar a uma unidade sanitária como forma a tentar desvendar o mistério. Quando descobri esse caroço, ainda no primeiro semestre de 2008, eu estava no segundo ano da minha formação universitária (Curso de Geografia) e apostei em manter-me em silêncio e não partilhar a minha situação  com as pessoas mais próximas a mim, contextualizou para depois prosseguir.

– Sabia, através de conversas com colegas da escola e amigas que existia este tumor maligno, e no nosso senso comum as interpretações que fazíamos era que esta doença não tinha cura, ou que a pessoa bastasse ter ou estar nesta situação não tinha muito tempo de vida, porque aquele caroço depois se transformava numa ferida aguda e dolorosa. Os primeiros momentos foram de pânico, mesmo antes de visitar um centro hospitalar mais próximo, conta a interlocutora.

– À medida que os anos foram passando o caroço também ia crescendo e eu cada vez mais preocupada. Ao mesmo tempo faltava-me ainda a coragem suficiente de procurar um hospital para contar o que eu tinha. Andei nesta situação durante muito tempo e já desenvolvido, o caroço aumentava e tirava algumas gotículas mesmo que não sentindo dores. Foi por não sentir nenhuma dor que não dei muita importância sobre o que viria a ser diagnosticada.

Em Dezembro de 2012 finalmente acabei me abrindo à minha família depois de tanto esconder porque a doença já estava a alcançar níveis que não era mais possível fingir. Foi então que a minha família reuniu-me, aconselhando a ir ao hospital, aduziu Inês, que mais tarde ficou a saber que tinha o câncer da mama.

– Levaram-me até lá e tive o primeiro atendimento com uma enfermeira no Centro de Saúde Urbano que, depois de me observar deu-me imediatamente uma guia de transferência para o Hospital Provincial de Inhambane. Encontrei lá um médico cirurgião que deu segmento ao meu tratamento. Fui submetido a exames e mais tarde diagnosticada um cancro maligno. Foi-me marcada uma cirurgia para o dia 26 de Dezembro de 2012, que viria a acontecer sem sobressaltos, segundo o relatório médico. Não cheguei a fazer quimioterapia, apenas submetido a uma medicação de trinta dias e dar continuidade às consultas semestrais, trimestrais e mensais até o ano 2016, altura em que o médico autorizou que já podia parar de ir às consultas. Deveria dirigir-me ao hospital se me sentisse ou tivesse algum problema.

O apoio familiar é crucial para superar a reacção do primeiro momento e das fases subsequentes. À Inês Fernando este apoio incondicional nunca faltou desde o momento que  decidiu contar da sua enfermidade.

– Em 2008, quando senti os primeiros sinais na escola e, até 2012 já tinha terminado a minha formação como licenciada em Geografia e estava em casa. Nunca me senti sozinha. Tive o apoio da família, hospitalar e amigos. Só tenho a agradecer sempre o amor familiar, é incondicional, assim como dos amigos.

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