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MAGID MUSSÁ: Na porta dos 50 anos de carreira pode dizer que não deve nada a ninguém

Por: Gilberto Guibunda  

Se Roberto Carlos é o “redentor” dos brasileiros, também é verdade que Magid Mussá goza de um lugar de eleição no quotidiano do povo de Inhambane e não só. Duas realidades bem distintas, mas que se pode encontrar algo em comum: o alcance das suas composições são, como eternizou o lendário Ludwig Van Beethoven, o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos.  Dificilmente possa existir quem, de ouvido apurado, não se identifique com a bela sinfonia executada pela eloquente voz do músico Magid Mussá, que há pares de anos marca gerações. Aliás, mesmo com a velocidade vertiginosa da contemporaneidade embrulhado no quadro da digitalização que transformou o conteúdo local, ou seja, numa altura em que os músicos passam e ficam os cantores, a sua música, entretanto, ainda consegue penetrar com profundeza no interior de quem procura uma alternativa para disfarçar os vários momentos que a vida apresenta.

Quando se reconhece os efeitos multiplicadores ou a repercussão inquestionável da sua arte em obséquio da maioria, nada obsta que se reconheça Magid Mussá como ícone da música popular moçambicana, em particular da sua província de Inhambane, onde nasceu há mais seis décadas.

Na longevidade da sua carreira, que tem a idade da Independência de Moçambique, o compositor fez e conseguiu mais do que imaginaria que fosse alcançar através da sua música. O manancial dos seus temas inéditos – retratam as vivências sociais, o amor e, acima de tudo, educam as sociedades – ajudaram a fortalecer corações dilacerados, a transformar a dor em alegria, a unir famílias, enfim…transformou vidas!

Interpretadas na sua maioria através da sua língua umbilical, bitonga, as faixas de Magid Mussá ultrapassam barreiras linguísticas do mosaico cultural moçambicano, sobretudo a célebre “ Nyi Wone Uwe” [“Eu vi você”],  que marcaria nos anos 90 o excêntrico e êxtase dos muitos fãs e seguidores. No tema, o músico elogia as qualidades de uma mulher. Seria dado o nome ao primeiro álbum gravado em 1992, de resto, marcando o lançamento na rampa da fama do filho pródigo do bairro  Santarém, hoje Bairro municipal da Liberdade 1 e 2, o mesmo que viu nascer outros grandes nomes de várias índoles da sociedade como Chico da Conceição (a título póstumo e dono de “Marumana Gaya”), Feola, Inhambane 70, Jaco Maria, Dua, os irmãos Marcelo e Vitalino Mosse, Abel Ramiro, Rui da Maia,  Roque Silva, Alexandre Chaúque, Nando Pesado, entre tantas outras figuras.

O NASCIMENTO DE UM ÍCONE

O INHAMBANENSE traz os excertos de uma conversa animada com o músico, hoje com 62 anos de idade, mais que a metade dos quais (47) dedicados à música,  cuja trajectória é uma viagem marcada por verdadeiros contos de fada.

– Não sei se ainda devo me apresentar mas é bom que saibam que nasci há 62 anos, portanto, há 22 de Janeiro de 1959. Fiz-me conhecer como Magid Mussá, mas o meu nome de registo é Abdul Magid Mussá Ussi Maulide. Eu sou de origem asiática, penúltimo filho dos 12 irmãos (quatro deles falecidos) dos senhores Mussá Maulide e Fátima Abibo Agy. Sou do bairro do Santarém, local que conserva muita história por ter visto nascer vários quadros deste nosso Moçambique. Ainda cedo fui obrigado a trocar de cidade e ir morar na Maxixe, onde iniciei o ensino pré-primário até a 4.a classe, recorda Magid, que de regresso à cidade umbilical iniciou uma convivência com músicos firmados e outros aspirantes, mas com algum automatismo, com nomes como Yola, Feola, Bradruque, José Vicente, etc.

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