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HORÁCIO DA LAURENTINA: A FORÇA E VONTADE DE VENCER A VIDA

Gilberto Guibunda

Quanto vale um diploma para um deficiente físico? Vale ouro! Horácio da Laurentina Gulube, 26 anos, é um exemplo de que a deficiência é apenas um resultado de alterações de um ou mais segmentos do corpo humano e não uma acção que impeça de sonhar e concretizar esses mesmos sonhos. Há, por este vasto Moçambique, em Inhambane em particular, vários casos de superação desta camadas social, e o jovem Horácio é um deles.

Graduado recentemente pelo Centro de Formação de Vilankulo, da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), com o título de técnico médio em Recepção e Quartos, a sua história se transforma num exemplo que deve ser seguido por muitos, razão mais que suficiente para o INHAMBANENSE apresentar nas suas linhas a rica história de vida deste sonhador.

Não foi difícil o localizar, até pela ajuda que nos foi dada pelo próprio gestor do centro de formação que nos fez a ponte. Chegada a altura de o contactar no primeiro instante, ficamos a saber que afinal Horácio estava em mais uma actividade: estágio (a fazer housekeeping e lavandaria) na luxuosa instância turística Azura Lodge, na Ilha de Benguerra.

Não nos importamos de esperar até que estivesse disponível para a aguardada segunda chamada telefónica, que foi de toda muito proveitosa. O que seria desgastante para o mais recente recepcionista, que seria fazer a trajectória diária de ida (duas horas de barco ou uma hora por feryboat) e volta do seu bairro, 7 de Setembro, até este local de aperfeiçoamento da prática, foi facultada pelo próprio lodge que o concedeu um quarto – a ele e mais outros colegas – para o merecido repouso no fim de cada jornada.

– Sou natural de Vilankulo, tenho 26 anos e nasci a 27 de Fevereiro de 1995. Vivo actualmente no Bairro 7 de Setembro. No meu Bilhete de Identidade só aparece o nome da minha mãe. Não conheço o meu pai biológico. No entanto, tenho o meu padrasto e mais dois irmãos. Fiz o ensino primário na Escola Primária Completa de Vilankulo e o ensino secundário-geral dividido entre a Escola Secundária de Vilankulo e Escola Secundária de Mucoque, apresentou-se Horácio, que afinal a ironia do destino na sua tenra idade reservava-lhe uma crueldade: a deficiência.

DOENÇA PROVOCOU-LHE  DEFICIÊNCIA FÍSICA

– Eu não nasci assim. Acho que estava destinado a ser assim. Quando tinha, acho que dois ou três anos, fiquei muito doente por um bom tempo e, no fim, o resultado foi este. Fui crescendo, entrei para a escola e, com a ajuda da minha família, dos meus irmãos e amigos, consegui superar muita coisa, conta.

A Universidade era uma prioridade depois de concluir a 12.a Classe. Concorreu às universidades públicas sem sucesso até qdescobue re que um curso técnico no Centro de Formação de Vilankulo era mais alcançável.

– Concorri para frequentar uma universidade pública e não consegui. Mais tarde fui me aperceber que havia o centro de formação técnico e com o curso que queria fazer. Tive esta oportunidade de ir frequentar depois da conversa que tive com o presidente do Município de Vilankulo, William Tunzine, a pessoa que muito ajudou-me nas propinas do curso. Também tive apoio da família e amigos. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para publicamente agradecer a todos eles, em especial ao presidente Tunzine. Queria, igualmente dizer-lhe que não deixe este espírito que tem em apoiar as pessoas necessitadas, não só os deficientes mas todos os que não têm condições, desejou, ora graduado como recepcionista.

ENCORAJADO  PELO FORMADOR

– Ingressei no Centro em Julho do presente ano e nesses praticamente seis meses aprendi muito sobre a Recepção e Quartos. É um curso que tanto queria e fiz com dedicação. Tive sempre acompanhamento de todos. O tratamento era igual para todos, e aqui devo também uma palavra de apreço ao formador Nelson. Ele sempre dizia-me que eu sou capaz de fazer tudo e de facto sinto que sou capaz. Não gosto que me tratem como deficiente ou sintam pena de mim, porque faço tudo normalmente como os demais, vinca o interlocutor.

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