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Coco cada vez mais caro e há factores influenciadores

Nketiah das Neves

Está cada vez mais caro comprar o coco na província de Inhambane e nos principais pontos do resto do país, onde é comercializado. Produto indispensável nas cozinhas moçambicanas, sobretudo na região sul do país, os preços para a sua aquisição variam, internamente, entre 20 e 30 meticais, chegando a custar, por exemplo, na cidade de Maputo, entre 35 a 45 meticais.

Alguns revendedores inquiridos pelo INHAMBANENSE apontam a escassez acentuada do produto na província, o que torna igualmente expressivo a sua compra na zona de proveniência para posterior revenda. Esta é avançada como uma das principais causas para esta especulação na marcação de preços, sobretudo fora da província. Atendendo a pertinência do fenómeno, a nossa reportagem interpelou o técnico da Direcção da Agricultura e Pescas da Província de Inhambane, Cremildo Joaquim, que justificou pelo facto de o palmar de Inhambane ser neste momento o único que alimenta praticamente todo o país.

– A baixa disponibilidade do coco na província é um dado a considerar. O palmar de Inhambane é o único que sobreviveu até agora ao amarelecimento letal do coqueiro. Como sabe, na altura contávamos com o palmar da Zambézia, havia também de Nampula e um pouco em Cabo Delgado, e estas plantações foram dizimadas pelo amarelecimento letal e apenas Inhambane é que continua a sobreviver, graças à existência de variedades gigantes, sobretudo o verde gigante que se mostra um pouco resistente a esta doença, debruçou o técnico, mais adiante apontando o envelhecimento e o ataque pelas pragas como outros factores que interferem neste fenómeno.

MAIORIA DOS COQUEIROS JÁ NÃO PRODUZEM

– Esta cultura está estabelecida na província um pouco antes da colonização portuguesa e está distribuída por quase todos os distritos do litoral. Portanto, a partir de Zavala até Govuro, com maior incidência em Zavala até Massinga. Ela constitui uma das maiores fontes de rendimento para as comunidades locais através do aproveitamento dos seus produtos. Este palmar que nós temos se encontra de modo geral envelhecido em alguns distritos como Morrumbene, Maxixe, Inhambane e Jangamo, onde as plantações iniciaram e é ainda jovem nos distritos de Zavala, Inharrime, Massinga e Vilankulo. Nos últimos anos esta cultura tem sofrido de vários problemas, com destaque para o envelhecimento. Este factor conta para a produção, portanto, a quantidade dos frutos que a árvore produz, o tamanho, a qualidade do próprio produto, vinca.

OITENTA POR CENTO DAS PLANTAS INFESTADAS

Também temos o ataque de pragas. Cerca de 80 por cento das plantas estão infestadas por pragas e a ameaça mais recente é a ocorrência de amadurecimento letal do coqueiro, e as últimas amostras revelaram uma incidência de cerca de 20 por cento e a existência de várias estirpes diferentes do fitoplasma que ataca esta planta, justificou.

Há também o abate, que é apenas uma polémica por se tratar de um abate selectivo. Só as árvores mais velhas é que produzem a madeira, contrariamente às mais novas, assim como as árvores doentes. É uma medida cautelar, é correcto fazer isso de modo a eliminar as árvores mais velhas e as doentes, que poderiam ser o foco de contaminação para outras plantas, reforça, concluindo o seu raciocínio sobre os problemas que interferem no encarecimento da cultura com o surgimento de novas áreas habitacionais.

O crescimento das cidades, que obriga a abertura de novas zonas de expansão habitacional, também influencia no abate dos coqueiros. É inevitável que isso não aconteça, sobretudo nas regiões de maior incidência da cultura. Estamos perante uma situação concreta à qual não podemos evitar.

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