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Centro de Timbila de Quissico ainda no segredo dos Deuses

Por: Nuno Águas

Timbila é uma manifestação artístico-cultural originária de Inhambane, mais concretamente na etnia chope, no distrito de Zavala, da qual a província se orgulha de ter. Esta expressão artística e cultural não é “pouca coisa” em Inhambane, nem no país. É um assunto que tem despertado interesse e curiosidade na arena internacional, quer no domínio artístico, quer académico, estimulando, inclusive, entusiastas.

Acontecimentos em registo revelam que esta cultura tem dado azo a diversas pesquisas de índole etnocultural, no país e no mundo, e é possível encontrar estudos sobre o assunto em diferentes bibliotecas, no solo pátrio e além-fronteiras.

Por exemplo, no repositório da Faculdade de Artes da Universidade de Zurique, na Alemanha, está patente um estudo intitulado “Timbila: metamorfosi di un processo identitario attraverso la musica”, uma dissertação da autoria de Moira Laffranchini.

Na Revista Científica de História da Universidade Federal Juiz de Fora do Brasil pode-se encontrar um dossier de obras que inclui uma intitulada “As timbila de Moçambique no concerto das nações”. Trata-se de um artigo que discute aspectos do processo que motivou a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a proclamar as “timbilas chopes” Património Oral e Imaterial da Humanidade, em 2005.

Um dos mais recentes, dos diversos estudos internacionais, é “O lugar das timbila no projecto de construção da nação em Moçambique”, produzido em 2020 por Sara Santos Morais e apresentado na Universidade de Brasília, no Brasil. É uma tese que trata de processos socioculturais, históricos e políticos que foram responsáveis pela emergência das timbilas como um símbolo da nação moçambicana.

Na obra, a autora explora algumas das dimensões da trajectória desta expressão musical, enfatizando a sua relação com agentes e instituições diversas, para compreender como, associada a um dos menores “grupos étnicos” do território moçambicano, os chopes, se tornou a principal insígnia do governo pós-colonial.

Como se pode depreender, timbila gera uma série de interesse em compreender mais sobre a expressão cultural, de tal maneira que a própria UNESCO financiou, há anos, a construção de uma infra-estrutura destinada a funcionar como um centro de promoção da Timbila, no distrito de Zavala, em Inhambane: o Centro de Timbila de Quissico.

Esperava-se que petizes, e não só, fossem formados em matérias relacionadas àquela prática artística e cultural. Todavia, desde então, nenhum movimento se verificou no local. É uma infra-estrutura abandonada, entregue à sua sorte.

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