Director: Gilberto Eduardo, Director-adjunto: Naiene Cauchy

JOGABET

“Em nenhum momento deixei a frustração derrubar-me”

Edson Pires & Gilberto Guibunda

Foto de Arquivo

– Pode se dizer que abandonou o projecto desportivo?

Digamos que não, porque o clube existe. Mudámos o ramo de actividade. Em vez de praticarmos o desporto ao mais alto nível passámos à formação. Temos um novo presidente eleito e tínhamos estabelecido alguma fasquia condicionada pela Covid-19 . Durante este período da pandemia formámos alguns técnicos de basquetebol, atletismo e patinagem. Temos kits para iniciarmos a formação nestas modalidades. Não vamos desligar o futebol, mas queremos dar oportunidade a outras crianças de se mostrarem nas outras modalidades.

Sentiu-se frustrado ao abandonar o seu projecto desportivo para abraçar o turismo?

 – Qualquer ambicioso, no bom sentido, sente-se frustrado. Qualquer um que tenha ambição, que tenha vontade de fazer, qualquer um que queira mudar para o melhor quando vê algo a fracassar torna-se frustrado. Mas em nenhum momento devemos deixar a frustração derrubar-nos. A frustração deve nos dar forças para encontrarmos outras soluções. Como as águas dum rio fazem, encontram um obstáculo, vão contornando, até chegarem ao destino. Então, se encontrei dificuldades onde estava no desporto e vi que estava, de certa forma, a perder tempo, não havia mais nada a fazer senão encontrar outra coisa para fazer. As pessoas não gostam quando eu digo que estava a perder tempo, mas eu pergunto hoje, oito anos depois de eu ter saído do futebol, o que é que mudou ou melhorou? A minha resposta é clara: nada!

Continuamos no mesmo lugar onde estávamos e se calhar piores. Se temos de esperar por oito anos para ver uma mudança, então estamos no caminho errado. A mudança tem de acontecer em um ou dois anos no máximo. Por isso que eu disse que as empresas vão à falência porque não se adaptam rapidamente às mudanças que acontecem à sua volta. Os outros países da região estão a ser melhores do que nós porque estão a apostar noutras soluções.

– Há oito anos Yassin Amuji já fazia algumas previsões sobre vários elementos. Onde é que busca a visão das ideias que leva ao público?

– Na leitura. O conhecimento busca-se na leitura e esta pode ser feita de várias formas. Não é algo que caiu do céu ou que alguém abriu a minha cabeça e meteu as coisas. Houve muita leitura feita, muita pesquisa, houve muita busca de conhecimento. A cada instante somos obrigados a buscar conhecimento. A cada conversa, em qualquer sentada na escola, em casa, etc. Tudo deve servir para nos ensinar. Eu sempre gostei de pesquisar, de tal forma que não tenho medo de abraçar projectos.

– Quando é que desperta para esta necessidade de pesquisa, de empreender ou querer ser empresário?

– Eu sempre fui uma criança inconformada. Sempre quis saber o porquê. Se dissessem não podes fazer isso, não me calava e perguntava a razão de não fazer aquilo. Sempre fui uma criança inconformada com o normal ou com habitual. Se me dissessem que não podia fazer isso ou porque não era possível, eu gostava de provar ou gosto de provar com o possível. Não gosto de ouvir que não é possível, é preciso vontade e encontrar formas. Os questionamentos que sempre fiz fizeram com que eu sempre fosse à busca de soluções, pesquisasse, fosse ler e fosse aprender cada vez mais. Leitura e  buscar conhecimento faz bem, e aquele que pensa que já sabe tudo não sabe nada. Nós temos que estar inconfortáveis com a nossa situação, porque o contrário não vamos progredir.

 

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