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Preck “yababuluku”: do featuring com Burna Boy aos grandes palcos nigerianos

Gilberto Guibunda

O seu nome de Bilhete de Identidade é France Rufino Joaquim, mas é por Preck ou mais recentemente Preck Yababuluku que os holofotes da fama o conhecem. Há quem ainda prefira o nome Seriasse que “é uma expressão que tenho usado desde há muito. Tenho alguns familiares residentes na África do Sul e, sempre que regressassem (em Dezembro) à Maxixe, em vários momentos pronunciavam expressões como seriasse ou mara…então a expressão ficou marcada em mim. Na música com a qual me notabilizei há uma passagem que que diz phela lani kuni ntsuntsu…seriasse...que com a tradução literal significa ‘a sério, há aqui uma confusão’”, conta Preck, que refere que o mais importante é que pessoas gostaram e o têm chamado pela expressão. – É o meu símbolo, meu slogan. Basta que alguém diga isso já se sabe de quem se trata, reforçou o artista.

Fruto da união entre Rufino Joaquim Vilanculos e Nelinha “Mapitasse” Romão Manhice, ambos naturais de Inhambane, há trinta anos que France Rufino nasceu na cidade de Maputo, mas foi na província de Inhambane, na Localidade de Rumbana, cidade da Maxixe, que Preck passou maior parte da sua infância e desenvolveu-se para a música, da qual não se separa.

– Quero deixar bem claro às pessoas que eu sou da cidade da Maxixe. Nasci, sim, na cidade de Maputo, mas no ano 2000, aos nove anos, fui viver em Inhambane, em Rumbana, uma das localidades da cidade da Maxixe. Muitos fazem sempre esta confusão, dizendo que sou da África do Sul ou da cidade de Maputo. Não, a minha proveniência é Rumbana, no 25 de Junho, para quem vai a Chicuque da Zona da Mademo. Foi lá onde eu estudei, cresci e comecei a desenvolver para a música. O meu nome artístico era Preck Reck, e cantava juntamente com o meu amigo de infância, o BHS (Grupo Alavanca). Mais tarde vieram o Afroshua, o Jaci Pro, etc. A minha primeira música, para quem acompanhou, foi intitulada menina waretwa e mais tarde lancei também o ginani, explica o interlocutor que, entretanto, volta a Maputo atrás dos ovos de ouro.

– Tive que voltar à cidade de Maputo em 2009 atrás dos sonhos. Chegado aqui [Maputo] continuei a trabalhar e foi neste processo que conheci o Tárico, Nelson, Dj Angel e gravei a música uthantwa mpama que fez sucesso em 2015 e 2016. Da mesma maneira que lancei mufana lweyi angana respeito. Eu fazia parte do grupo Os Magnatas. Graças a Deus as portas abriram-se, as pessoas começaram a gostar da minha voz rouca. Sempre gostei de cantar o estilo Afro House, de tal maneira que lancei a música nita ku komba cuja instrumental foi de DJ Call Me, explica Preck, voltando à questão das origens e rematando que “as pessoas acabam confundido muito porque praticamente todas as minhas músicas canto em xichangana, mas eu sou falante de bitonga”.

Com o seu timbre de voz faz lembrar um dos nomes sonantes da música jovem moçambicana, Denny OG. Preck deixa algumas revelações.

Eu sempre gostei das músicas do Denny OG, DMX, Mandoza, entre outros. Imitava todos estes artistas, embora as pessoas sempre duvidassem da minha voz, por ser demasiada rouca. Diziam que não chegaria a lugar algum, mas eu acreditava que era ideal e que com a minha voz tudo seria possível. Foi daí que comecei a cantar, captando no estúdio do Jaci Pro, na Maxixe. Nessa altura, eu fazia hip-hop (Não é time de xibalo) e passei a ser um dos artistas a representar a cidade em vários roadshows. Persisti muito para chegar onde estou e não digo que já conquistei os objectivos definidos. Ainda tenho muito por aprender, mas fico feliz por estar a representar a minha província e a cidade da Maxixe em particular. Do mesmo modo que represento a todos os artistas da província, deixo o apelo para não desistirem. Quem diria que eu pudesse viajar para fora do país para cantar? Se eu fui é porque todos podemos, encorajou.

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